Segunda-feira, Janeiro 09, 2006
Kong Incrível como a fantasia imita a vida particular - isso podendo acontecer na mais improvável das vezes. Numa das penúltimas cenas da segunda refilmagem de King Kong (Peter Jackson, vertiginoso - termine de ler antes de rolar no chão de rir), a linda mocinha do filme foge de uma apresentação no teatro para se encontrar com um Kong que literalmente está - à sua procura - "tocando o terror" na Nova York dos anos ´30. Então, do meio de uma bruma gélida, entre mal iluminados trilhos de bonde, ela lhe surge, caminhando num vestido claro, tão devagar que parece parada, em gesto que pretende alguma espécie de fixação eterna, alguma mesmerização, puro hipnotismo para, a partir dali, selar a sorte do enorme animal. Todos sabemos o final. Acontece que vivi praticamente a mesma cena, há alguns anos atrás, nos acessos de uma hoje extinta rodoviária apinhada. Igualzinho. A diferença básica é que apenas não cheguei ao final da estória ainda... | Comentários: Quarta-feira, Janeiro 04, 2006
2006 Em época de mudança de calendário é sempre assim: pensa-se no que se fez e no que se passou para ajudar a decidir o que se fará, num balanço de pessoa física polvilhado com crendices. E o que fiz em 2005? De uma certa maneira fiquei imóvel, sentindo a velha saudade sulfúrica, engessado por circunstâncias que não me atrevo a revolver outra vez; e como se não bastasse essa lenta dissolução interna permitida, tive todos os poucos planos feitos no ano anterior abortados, um motor de geladeira misteriosamente queimado às vésperas do Natal - uma punhalada de R$ 450,00, e muito trabalho para prazos curtos ao longo do resto do tempo nos dois empregos (um jornal diário em obras e uma agência de propaganda composta por três integrantes). Creio que as "promessas" que se afiguram para o novo ano não me acenem, então, muito animadoras... embora, sejam elas quais forem, não seja uma boa idéia dar-lhes as costas, com medinho: que venham. Talvez por isso, ao invés de rechear minha carteira com sementes de romã ou folhas de louro - tolice para reincidentes - risquei com força as seguintes linhas, que carregarei num pedaço de papel comigo por todo 2006 com a função de me lembrar, de me sugerir alguma bendita direção: Você se foi mas eu fiquei. Paralizado no caminho. Não tão alto quanto eu quis Mas suficientemente alto para que estes passantes vejam E leiam Aos pés desta estátua Quem te fui: Lembrança cinza. Ao final do ano (ou do próximo ano...), queimarei este papel e assoprarei os resíduos a favor dos ventos, de preferência em local privado, e à noite, sem lua. Com esta mandinga inventada, quem sabe então finalmente me movo de novo?... | Comentários: |