Sexta-feira, Outubro 28, 2005
Post selvagem Não sou mesmo flor que se cheire. Já roubei uma vez, quando bem criança; mas como o gosto de sangue não sai assim fácil da boca, ah, cuidado comigo. Também já matei; durante a vida, quase toda sorte de insetos, vários aracnídeos e alguns pequenos répteis agonizaram sob a sombra de minhas solas e fundas. Uma vez assustei uma criança - não sem não o querer - e noutra o sexo oposto sentiu a tenaz de minhas mãos sobre sua carne. Tremam, pois, dos frios confessores! No campo das mentiras, gabo-me de ser mestre; consigo enganar até a mim mesmo em algumas vezes. Não se iluda, portanto, com mi´a figura superficialmente branda e branca; meus pensamentos são ciclicamente O Inferno quando me contrario, dou topada ou um carro me molha na calçada, típico de alguém que começou a ler sobre embates humanos de proporções geográficas e guerras totais na infância. Mas não urro de noite; quando o dia se veste de ultramarinos, meu olhar vermelho vaga em silêncio a partir de janelas parando e corroendo as figuras no passeio que me interessam naquele momento. O som que emito nestas altas horas pode ser entendido como um chôro, uma lamúria muito lenta e quase subsônica, ecos inauditos de meus tropeços, desejos proibidos e/ou impróprios e decisões equivocadas. Desenvolvo há anos a mania irritante de batucar em superfícies sólidas - com punhos, pernas e calcanhares, fingindo chamamento ritual - enquanto penso em qual será minha próxima grande e definitiva maldade desconstrutiva: tatuagem em almas. É, não estranhe. Antes de qualquer remissão vem sempre alguma admissão... | Comentários: Sábado, Outubro 08, 2005
Sobre armas e homens Não acho que vivemos num mundo que deva prescindir de armas - essas ferramentas de morte, sim, mas também de dissuasão; no meu simplório (?), incompleto, particular e pseudo-antropológico pensamento todos os homens ainda não atingiram um nível de evolução que lhes permitam resolver os seus problemas apenas com argumentos intelectuais e diálogo. Também é verdade convincente que o mundo não pode estacionar por causa disso. O que me rói de verdade por dentro é se já é mesmo, afinal, a hora de se dar mais um passo em direção a esse dia, que todo mundo que é do bem almeja... | Comentários: |