Terça-feira, Maio 31, 2005

Contrapartida

Se choras pelo beijo de olho aberto de outrém
Esqueces que pra ter visto esta tristeza
Abriste teu olho também.

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Tentando soerguer-me através do humor:

Sabe o que os quarks dizem um pro outro quando se encontram?
"E aí, como é que vai essa força-fraca?..."
...
...
É, eu sei, péssima... : /


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Terça-feira, Maio 17, 2005

Post final

Pra se ter algo que se deseja, é mister ir de encontro a ele.

Volto quando o medo for embora.

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Sexta-feira, Maio 13, 2005

Maçã

Comi maçã com Karol hoje.
Deitei na cama; ela ajoelhou na cabeceira para me fazer companhia.
Falamos do que ela gosta, uma boneca e uma amiga, enquanto uma fatia da fruta em forma de coração ia pra ela e outra como um prato sem fundo vinha pra mim: miolo, caroços e risadas sobraram. Gosto de ouví-la rir. Gosto também de passear pelo mundo dela de vez em quando... Lá as dores parecem mínimas, a diversão não tem hora e há sempre alguém mais poderoso por perto para resolver os problemas realmente insolúveis como amarrar um tênis e organizar os cds nas caixas.

Um dia salvo. Ponto pra Karol.

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Quinta-feira, Maio 12, 2005

Ironia

Moça, eu disse um dia
Cesse já teu choro pela perda.
A volta da espiral passou e é hora de desenhar outra;

`Felicidade que te fugiu
Está logo ali depois da curva
Vestida com nova roupa
E misturada ao tecido mutante da sua vizinhança
Só esperando cruzar com´teus olhos.

Curto tempo passou, vi, afinal, que a convenci: noivou.

... E, ironicamente,
Agora eu, desesperado,
Clamo contorcido por alguém que convença a mim do mesmo.

Derreado.

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Quarta-feira, Maio 11, 2005

Flashes de um sonho

... cortinas rendadas ondulando como beira de lago (ou eram a saia dela?...)... chiado de rádio indecifrável mas gostoso... torneira aberta enchendo algo (uma piscina portátil?)... dois martins voltando pra mata... dracenas arbóreas fazendo sombra em chinelos de dedo amontoados... grãos de brita... risos... um beijo... abóbada de céu azul-infinito-ultrahiperturquesa... passos de pés descalços corados da cerâmica vermelha do piso da varanda...

... E o despertar traz, junto com as dores nas costas, aquele sufocamento na garganta típico depois de quando se chora muito.

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Segunda-feira, Maio 09, 2005

Cicatriz

O adeus veio de noite, trespassando o que seria o seu último batimento. Uma boca entreaberta congelou-se... e o silêncio se fez misturando a escuridão à estátua, agora irmãs.
O resto foi tempo.
Dezenas de milhares de centenas de garoas e chuvas acidificadas espalhadas por séculos de uma espera irracional aplainaram suas formas lhe tirarando o brilho; intermináveis casacos de lodo, fungos e bolor lhe vestiram e despiram conforme o caminhar pachorrento das estações transtornadas em tentativas frustradas de lhe animar com vida; cidades surgiram, cidades morreram, povos inteiros migraram; todas as estrelas artificiais caíram. Até o velho muro da velha fábrica da velha rua estufou com o peso do movimento das terras e desabou aos seus pés estalando com o som de vidros se partindo. Perto, uma diminuta fenda numa rocha um dia verteu água, que se transformou em rio quando as placas tectônicas assim o decidiram. E no horizonte o ribombar das geleiras singrando o planalto se tornaram os tambores de exércitos que nunca chegaram, enviando somente flocos de neve e éolos cortantes com mensagens assobiadas de esperanças vãs.
...
Então o quadragésimo tremor lhe partiu um braço.
...
E a duodécima milionésima terceira onda tombou-a de lado.
...
Tempo.

Agregada à rocha... iluminada pelo sol sem ar... um restolho de estátua revoluteia no éter. E a sua boca entreaberta é afinal um empalidecido sorriso de certeza: cicatriz.

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Sexta-feira, Maio 06, 2005

Solicitação

Quem, por caridade, poderia me receitar uma forma respeitável de se sofrer?

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Quinta-feira, Maio 05, 2005

Descrição de estado

Sabe quando você liga o rádio e metade das músicas que tocam parecem ter sido feitas especialmente pra você?

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