Quinta-feira, Dezembro 23, 2004
Quarta-feira, Dezembro 08, 2004
Apaziguado com meus sonhos Há muito tempo não tenho mais pesadelos. Os que antigamente o seriam, hoje são aventuras sem risco - pois durmo fingindo que estou acordado; deixo-me atropelar nas avenidas; permito-me cair de precipícios e enfrentar feras com as mãos nuas. Não há mais o desconforto de estar sem sapatos ou sem calças em local público. Não. São sonhos... E por isso, sem constrangimentos, sigo persistentemente quem invade esses meus domínios etéreos estanques da vida real. Aconteceu isso assim noite passada. Ela apareceu de novo; e eu fui atrás dela, num cenário de latão, mármore e vinho que eu ia construindo aos poucos, sem pressa. Basta-me dizer que sei como ser mais rápido aqui... Os detalhes - agora parte do meu subconsciente - são um caldo tépido de grãos e sal que a gente toma quando chega da rua numa noite chuvosa. Mas posso revelar que terminou num beijo, daqueles que infelizmente nos desacostumamos quando de olhos abertos. Acordei sem o querer, mentindo sobre as vozes, desconversando sobre os gemidos. Se eu fosse cristão, certamente pediria perdão pelos meus erros; mas acho que não pelos meus sonhos. | Comentários: Quarta-feira, Dezembro 01, 2004
Amor é... Amor suporta tudo por entender que pode tudo. Ele não está nem aí... Amor não é tanto a certeza sentada em trono como a expressão - indomável e sem rosto - dele mesmo; depois que nasce, caminha sozinho e em silêncio para onde ele quiser, não importando as ordens que lhe dermos. Nós, sim, somos permeáveis a culturas, a políticas, a costumes... o amor não. Ele vai seguir se a gente decidir ficar. E nos pisca de vez em quando se emparelhamos com ele. Amor, por ter consciência apenas de si mesmo, enxerga-se em toda sua braçada e esse espaço lhe basta: é como uma espécie de fé sempre úmida e tépida e confortável ao alcance de um botão chamado recordação. Amor sabidamente não é sexo, embora um sonhe com o outro. Amor não aceita superlativos, e nasce do mesmo tamanho que sempre terá, só morrendo quando o corpo que o veicula pára de se lembrar: é quando ele deixa um rastro triste nos olhos. Amor se perpetua por associação de freqüências estupidamente parecido com grupos de acordes numa peça musical que a gente coloca no modo repeat. Amor nunca é ruim; nós é que somos - inadvertida e ocasionalmente - com ele. ... Meu único medo irracional é que a palavra amor se desgaste. | Comentários: |