Quinta-feira, Fevereiro 26, 2004

Castigos

Ultimamente tenho pensado em castigos; não castigos que eu deseje aplicar, pois aí seriam vingança travestida. Um pouco nos castigos celestes até que sim, admito, já que toda minha ciência termina, afinal, diante de uma chuva excepcionalmente forte e destruidora ou de um escorregão na beirada de um abismo... Aqui longe de acidentes ou fatalidades que eu sei que acontecem, mas perto de sustos que a vida nos dá a título de aviso (?...), de repensamento, e de lembrança de certas regras (!...).
(Dando de ombros uma vez...)
Mas tenho pensado muito nos castigos que eu de fato mereço. Ou os que acho que outros (outros estes que eu prezo bastante) acham que eu mereça... Talvez como que me preparando, sei lá, me acostumando com a idéia, eu talvez possa suportá-lo(s) melhor quando ele(s) finalmente vier(em)...

Isso apesar do fato de nós, geralmente, não acharmos que merecemos ser castigados.

Somos habilíssimos em encontrar mérito nos absurdos que cometemos.

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Quinta-feira, Fevereiro 19, 2004

Falta...

Me falta alguma coisa.
Não é dinheiro (não que eu o tenha de sobra).
Nem felicidade (Qualquer adulto sabe que ela naturalmente ondula durante a vida).
Não é companhia também (não que eu deseje solidão! Não!...).
Tampouco saúde (embora eu às vezes tussa).
Filhos? Uma sobrinha me completa.
Reconhecimento profissional? Não é o que procuro.
Mais tempo? Não tenho mesmo tempo pra nada, embora não exista afinal tempo pra tudo que desejo; mas essa incongruência eu tenho, não me falta.
Conhecimento sempre vai me faltar; ilusão querer saber tudo...
Um GPS? Deus, não preciso de um GPS...!
Duas mulheres?... Problemas todos nós queremos mais é que nos faltem!...
Que vaziozinho estranho é esse, então, que acorda comigo e me acompanha pelas atividades do dia-a-dia fazendo eco suave pedindo para ser preenchido?
A resposta está comigo, eu sei, mas... estou perguntando corretamente?...
...
(Reaprumando-me e usando outras trilhas mentais pra continuar a procura:)
Quero poder ir e voltar, e dizer em verdade somente que "fui dar uma volta", sem sentir necessidade de mentir ou achar que ocultar seja uma mentira trajando burka.

Por que isso me parece tanto com o sentido de liberdade?...

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Sábado, Fevereiro 14, 2004

Espaço

Um dia isso ia acontecer... Esmola demais de desconhecido a gente sempre (sempre) deve desconfiar... E não é que o espaço virtual é, afinal, finito (Todo mundo está sabendo, creio, que o Blogger limitou o espaço dos "assinantes" para 10 merrecas, digo, megas)? Isso é um aprendizado para nós: a única coisa realmente infinita é a carga humana de sofrimentos. ; )) O resto todo ou custa espécie para permanecer e prosseguir ou tem que abastecer no posto. ; ))

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Quarta-feira, Fevereiro 04, 2004

Envelhecer

Queria viver 100 anos. Mas será que com os vícios que tenho posso chegar inteiro a esse século de vida sem problemas?
Duvido. Longevidade não rima com vícios alimentares, por exemplo. Gosto de gordura. Gosto de refrigerante. Industrializados têm um gosto bom pra mim, além de serem práticos. Lenta e silenciosamente venenosos, mas práticos. Ao contrário do mamão; tão trabalhoso de descascar - que nervoso que dão todas aquelas sementinhas escorregadias! - e fica com cheiro ruim tão rápido na geladeira...! E as saladas, ah, as saladas, nutritivas na proporção direta do seu tempo de preparo... e as comemos em segundos...! Um simples pão caseiro, que leva pelos menos duas horas e meia para ser sovado (suor escorrendo) e assado pode ficar duro se se erra no fermento e só servirá de calço de porta depois. Melhor as fôrmas de padaria, já cortadinhas...

Quando envelhecemos ficamos mais práticos, será isso?... Posso usar como consolo?...

Será que quando atingimos os 40 (antes, então, da metade da idade que desejaríamos ter) pensamos no que ainda poderemos fazer antes de iniciarmos a sequência de curvas descendentes dessa montanha russa que é a vida?... Tsc, tsc. Tarde demais para se correr como quando se tinha 20...

Uma outra característica do envelhecimento é a rendição à gravidade: note o tapetinho do seu banheiro. Ele embola quando você passa? Se a resposta for sim, bingo!, você está ficando velho. Seus pés estão arrastando!...

Mas não se incomode com isso tudo que eu disse... Com certeza sua velhice será legal, já que, como as formigas da estória, está guardando espécie para os dias nublados do futuro.

Te vejo quando o inverno passar. ; )

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