Terça-feira, Novembro 25, 2003
Hoje completo onze anos de casamento com Guiomar. Na verdade, encarei a juíza de paz com todas aquelas testemunhas em 96, o que daria sete anos se eu fosse um matemático daqueles frios, calculistas e precocemente calvos, mas como sou um reles terceiranista formado ainda com cabelo, meço o tempo por outros parâmetros, e ir morar junto (92) é minha tábua de salto pra essa contagem. É, lembrei do dia, pasmem. E ainda lembrei do presente da Guiomar: o livro Perdas & Ganhos da Lya Luft (Presente bom é presente usável por mais de um cônjuge; quando ela terminar de ler, será minha vez, embora eu já antecipe seu conteúdo). Não fiz cartão, porque pus uma dedicatória que me pareceu servir de um: Guiomar, Tens aqui o livro que procuravas, pra saber o que ganhou e perdeu nesses nossos 11 anos acordando juntos. O meu balanço eu já digo: perdi o medo de gente e adoráveis noites de sono; e ganhei sons, cores e sabores de família. Amo você por isso. | Comentários: Sábado, Novembro 22, 2003
Índices
A pujança da economia de um país também se mede pela quantidade de lojas especializadas em roupas para gordos existentes dentro de suas fronteiras. | Comentários: Foi-se a tempestade da noite... ... e de manhãzinha as últimas gotas de chuva brincavam um obsessivo jogo-de-argolas com as poças. | Comentários: Terça-feira, Novembro 18, 2003
Dúvidas excruciantes
- Por que as crianças têm medo de palhaços e de dentaduras?... - Por que quando chove no deserto as pessoas correm para se abrigar?... - Por que é que a gente só usa o microondas para esquentar leite e fazer pipoca?... - Qual o melhor intervalo de tempo para se tocar uma campainha pela segunda vez?... - Por que quando almoçamos deixamos os empanadinhos por último?... - Quando devemos dizer não a quem amamos por demais muito?... - Por que amantes têm ciúmes de outras amantes, mas não de esposas?... - Por que centopéias se chamam centopéias se elas têm bem mais de cem patas?... - Qual a idade das tias?... - Será que eu posto isso?... | Comentários: Dsrotebeca itseretsnane Peosqusaiedrs iegslnes osaberarvm que não itproma a oedrm das lreats em uma plraava praa que as etonedanms qdanuo ladis; btsaa que a periimra e a úimtla ltears eatejsm nos lguaers cteors que a plaarva sreá crdeoedmnipa com aneaps um oahlr. Miácga? Não, itso atoeccne pqoure, sugdneo os pqeissruaedos, nós não lomes cdaa lrtea iosldaa e sim a plavraa cmoo um tdoo. Crsiouo, não?... | Comentários: Segunda-feira, Novembro 10, 2003
Descobrindo (só um pouquinho) as mulheres - O que é que você está pensando?... Mulheres não são adivinhas. De qualquer modo, adivinhos não existem. E se é impossível adivinhar, especular é o que sobra para elas preencherem os nossos silêncios. Mas para se especular, precisa-se de dados, mesmo que falsos. Então elas nos perguntam o que é que estamos pensando. Ingenuidade pura achar que elas estarão ouvindo nossas palavras... Elas estarão é percebendo se gaguejamos, se demoramos para responder, se as olhamos nos olhos, se sorrimos pelo cantinho, se nos aproximamos delas ou se nos afastamos, e (importante!) o que fazemos com as mãos. Por que, então, nos fazem justamente essa pergunta fenomenal com todas as suas improbabilidades? - O que é que você está pensando?... Ora, deve ser só para nos desconcertar. | Comentários: Quinta-feira, Novembro 06, 2003
Os amantes
Se conheceram numa escada rolante, numa dessas interações forçadas de pessoas que ocorrem a toda hora e em todo lugar que é muito povoado. Se esbarraram. O resto foi fogo em mato seco de beira de estrada no verão tropical... Eram casados. Os dois. Ele meio católico, ela bem metodista. E amavam seus companheiros, juravam, cada um sob seus santos. Certamente Deus, em sua incompreensível onisciência, acreditava neles... Quando estavam sozinhos, pensavam um no outro; e por isso, por estarem periodicamente sozinhos, periodicamente se contatavam, combinando um encontro. No shopping quase inaugurado... No estacionamento do supermercado do bairro... Na ruazinha secundária ali perto da clínica de emagrecimento... Do lado mesmo da delegacia de polícia. Normalmente à tarde ou de noitinha, quando vistas cansadas pedindo por uma tv ou por sono entravam nos coletivos. Acontecia assim: eles se encontravam, davam as mãos, um beijo público rápido e sumiam na sombra mais próxima. Dentro dela eram cada um um do outro, propriedades absolutamente particulares; não trocavam palavra - não precisavam - embora usassem por todo o tempo suas bocas. E mãos. Conheciam todas as suas reentrâncias, sinais e calombos. Sabiam quais eram seus sabores. Tinham já mapeado seus cheiros. E isso gerava a confiança necessária para se entregarem às suas periódicas orgias de dois, onde tudo o que fosse imaginado, do intensamente púbero à delirante pseudo-tortura, se tornava real bastando para isso um leve consentimento. E nos oceanos de suor em que mergulhavam nessas ocasiões, navegavam destemidamente contra qualquer recife ou baixio e só as estrelas acima deles sabiam exatamente por onde passaram, quanto tempo se deixaram ficar e quando retornaram aos seus portos de origem. Longe um do outro, despiam-se pudicamente, vestidos que estavam deles mesmos, exorcizados de seus desejos mais íntimos, secretos e vermelhos, para suas vidas ditas e repetidas como reais. Chamavam a isso de amor. E poderia ser mesmo. O amor não quer ser apenas uma possibilidade, aversão que ele tem ao proibido. Nem faz questão de ser chamado sempre assim... Amor mesmo é incondicional, generalizado, quase que benemerente. Alegre e bobo, certo apenas dele mesmo. Amor talvez controle tudo, menos a si mesmo... Por isso, para o bem ou para o mal, os amantes - esses amores encarnados - afinal, sempre, sempre se merecem. | Comentários: Confissão quase-secreta Não sou bem eu quem prestigia o transporte público da minha cidade, mas sim essa minha vidinha remediada. | Comentários: Terça-feira, Novembro 04, 2003
A Física por trás da pipoca Todo mundo já comeu pipoca no cinema. E certamente bem poucos já se perguntaram por que a pipoca entra na máquina como um caroço duro de milho e sai aquele floco macio absolutamente palatável. Claro, estão prestando atenção ao filme... Mas eu conto aqui. Na verdade, a pipoca se forma depois de uma verdadeira micro explosão de vapor que ocorre dentro do caroço de milho. Todo carocinho tem uma quantidade apreciável de umidade presa em seu interior e que, quando aquecida pelo óleo quente, atinge temperatura de vaporização em segundos... rompendo a casca do milho e expondo sua polpa fibrosa num átimo, esgarçada que foi pela força da expulsão violenta da água vaporizada. Exato: pipoca é milho ao avesso. De uma maneira geral, todos os caroços de plantas podem virar do avesso quando aquecidos, o que nos faz pensar nas possibilidades... Pipoca de canjica... Pipoca de amendoim... Pipoca de feijão!... (P.S.: O último parágrafo é teoria; este escriba não se responsabiliza por qualquer acidente que venha a acontecer em sua cozinha...!) | Comentários: Sábado, Novembro 01, 2003
Crônica assustadora quase-verdadeira Passa de meia noite. Estou indo pra casa. Um tetinho de gesso de banheiro pra limpar, quando acordar. Mesmo pão com margarina. Mesma margarina. Buscar a esposa no trabalho. Compras por fazer. Mesmos assuntos, mesmos caminhos, mesmas pessoas. Assistir Celebridades (sem tv a cabo). Sapear pela Band (Vídeos Incríveis), SBT (Tiririca) e algum filme da Record (esses filmes sempre ficam melhores quando os entrecortamos todos com Vídeos Incríveis, Tiririca...). É, sem vídeo-cassete (quebrado). Dormir. Começa então minha vida. O resto foi pesadelo que só quem esqueceu de dormir sonha. | Comentários: |