Sexta-feira, Outubro 31, 2003
Crônica assustadora quase-verdadeira Passa de meia noite. Estou indo pra casa. Um tetinho de gesso de banheiro pra limpar, quando acordar. Mesmo pão com margarina. Mesma margarina. Buscar a esposa no trabalho. Compras por fazer. Mesmos assuntos, mesmos caminhos, mesmas pessoas. Assistir Celebridades (sem tv a cabo). Sapear pela Band (Vídeos Incríveis), SBT (Tiririca) e algum filme da Record (esses filmes sempre ficam melhores quando os entrecortamos todos com Vídeos Incríveis, Tiririca...). É, sem vídeo-cassete (quebrado). Dormir. Começa então minha vida. O resto foi pesadelo que só quem esqueceu de dormir sonha. | Comentários: Quarta-feira, Outubro 29, 2003
Pragas
Tá, tudo bem, desejar mal aos outros não é nada cristão, eu bem sei; mas tem dias que a gente não tá lá muito pra bons amigos, e a vontade é de sair praguejando mesmo. Sinceramente tenho minhas dúvidas de que se soltar, deixar sair todos os lugares impossíveis que se quer que nosso desafeto chegue, por sí só não resolve a tensão. Como um capacitor posto em curto, a praga é um estalo que depois vai lentamente se recarregando. Exato, ela volta. Por isso achei que se a gente pensasse numa praga realmente eficiente, passível de ocorrer, manipulada, exclusiva para o desafeto, três coisas legais aconteceriam: primeiro a gente esgotaria o assunto; segundo, quando a praga se efetivasse, o desafeto se lembraria amargamente de você; e terceiro, concluiria o quão ridículo é desperdiçar tanto tempo pensando num desafeto. ; )) Não estão sacando o que é uma praga manipulada, não é? Darei exemplos: a- "Tomara que você ainda ande de Uno um dia!" - cruel, para o mauricinho que o esnoba; b- "Que sua língua se encha de aftas nas laterais!" - especialmente desconfortável, para a vizinha fofoqueira; c- "Que sua flatulência seja sempre sonora!" - ótima para o dedo-duro do trabalho; d- "Que você se apaixone de verdade!" - merecida, para aquela pessoa que acha sempre que tudo o que você faz é exagerado; e- "Que você ganhe um pente no Dia dos Pais!" - para qualquer calvo chato; f- "Tomara que caia na malha fina!" - para qualquer político. E chega, não?... <: ) | Comentários: Terça-feira, Outubro 28, 2003
Segunda-feira, Outubro 27, 2003
Você sabe que o bicho vai pegar quando... ... vão juntos ao cinema assistir a uma comédia engraçadíssima... e, na saída, ela está ab-so-lu-ta-men-te séria. | Comentários: Sexta-feira, Outubro 24, 2003
Karol
Hoje é aniversário da Karoline, minha sobrinha por afinidade (e põe afinidade nisso!...). 18 anos!... Maioridade!... É estranho ver uma criança já com essa idade!... (É. Existe mesmo essa besteira da gente se pegar querendo que nossos pequenos não cresçam nunca, mas o tempo é sabidamente surdo pra adultos...) E, como era previsível, me vi lembrando do dia em que a carregava no colo - a conheci quando ela tinha ainda 4 anos - comentário que, bem sei, definitivamente me insere na categoria "velho". Lembro também do dia em que ela conseguiu pedalar um velocípede (5 ou 6 anos, e não parou uma vez nas três horas seguintes), e da vez em que reconheceu seu nome escrito (10 ou 11 anos), além da época em que começou a se preocupar em usar plurais (12-13 anos). Conquistas tardias, sim, mas convenhamos, para quem nasceu sem uma estreita faixa do neocórtex direito, está muito bom. Duma coisa eu nunca vou ter como não lembrar: da sua constante alegria. Ela tem até covinhas! Pra ela tudo pode ser engraçado - se não for ela que tiver quebrado, comido escondido ou precisado ir ao médico. Tudo bem, uma ou outra vez, como todo mundo, ela emburra, bate uma porta, quer ficar sozinha, mas todo mundo tem disso, não tem? E aquela dobrinha na testa, que aumenta ano a ano, demonstrando seu esforço em aprender (desde gravar em vídeo cassete até usar o Paint do Windows), me alivia quanto ao seu futuro: parar no tempo ela não vai, como nós adultos à volta dela achávamos como o ideal. Sei também que ela não vai ler essas linhas. Muito cedo ainda... Tudo bem, eu conto uma estória pra ela inventada, do jeito que ela gosta, de um cara que pôs pra todo mundo poder ver um monte de letras de mãos dadas que, em roda, cantavam uma música divertida que rimava com seu nome, uma estória assim cheia de impossibilidades que a faça rir (adoro o riso dela; rio com ela). Mesmo assim registro aqui meus parabéns à essa, agora moça, chamada Karol. Muitos anos mais de vida saudável, feliz, alegre, enfim, de descobertas, mesmo que pequeninas mas crescentes, dela mesma e do mundo que a cerca. E continue criança, na medida do possível. | Comentários: Quarta-feira, Outubro 22, 2003
Você acredita em horóscopo?... Minha esposa tentava acalmar uma sua colega de trabalho que estava irada com os problemas cotidianos, mas não tinha sucesso dada a teimosia dela, que se dizia escorpiniana, que não era de seu feitio se acalmar ou não brigar por tudo e todos. Quando minha esposa disse que eu era escorpiniano e era completamente diferente disso... a colega, perguntou de que data (a diferença era de 6 dias); depois de um tempo pensando, ela simplesmente bateu na mesa, zangada - e certamente confusa - berrando: - Mas ele DEVIA ser igual!!!... | Comentários: Passeio de ônibus
Às vezes nos sentamos ao lado de alguém no ônibus, alguém que nunca vimos e... bem, algo estranho acontece: ficamos simplesmente desejando que a viagem não termine! Torcemos por algum engarrafamento durante o caminho, algum acidente de percurso ou desvio que atrase a carreira; clamamos por paradas em todos os pontos; exigimos respeito absoluto do motorista à velocidade máxima; nem ligamos para a lotação e o abafamento. E o banco de dois lugares, mesmo pichado com corretor ortográfico e rasgado de uso, se torna sem que o percebamos em todo o mundo do qual precisamos. Porque sabemos o destino do ônibus. Mas nos deixamos ficar. | Comentários: Vivoquê II
Já expliquei aqui o que é vivoquê: é um karaokê sem botões. A banda Sohma faz isso todo sábado, lá no Charlie Chaplin Bierhauss, ao lado da Patrone (em Petrópolis), a partir das 21:00h. Bairrismos à parte, quem quiser conhecê-los é bom ir rápido... porque o Nelson Motta já andou por lá sondando. ; ) | Comentários: Terça-feira, Outubro 21, 2003
Promontório
Serena Correndo na vertente Pra ver o Sol cedo De manhã Não tropeça nem cai Mas tem seu suéter Colorido de tricô Desfiado por salgueiro Espetado Orvalhado Que se enovela e esgarça Roubando calor. Sol desponta Nuvem vem Esperança se vai. Serena sente frio. | Comentários: Segunda-feira, Outubro 20, 2003
Crítica à crítica Criticismo é bom apenas quando se recebe algum dinheiro pela opinião, quando se está almoçando ou quando ela pergunta "quando a gente vai se casar?" No resto das vezes, analizar se algo está bom ou ruim é uma total perda de tempo, além de injustiça inominável, quiçá um desconhecimento profundo da multiplicidade de características e utilidades que as coisas podem ter. E daí que o Barroco brasileiro está mais para artesanato do que para arte se todos aqueles que venderam todos aqueles bonequinhos de barro colorido o fizeram para poder comer? Encare como doação sua compra... E daí que a música está alta demais se quem assim a toca procura sozinho preencher com som sua vida vazia? Apenas procure sair de perto... Sejamos críticos sim, mas com as nossas críticas. Lembrando sempre que elas são eficientes freios de disposições. E apenas isso. | Comentários: Quinta-feira, Outubro 16, 2003
Fenômenos sincrônicos
É sempre bom voltar com esta estória... porque continua acontecendo. Coincidências se explicam por oportunidades de associações: quanto mais relacionamentos dois sistemas experimentarem, maiores serão as possibilidades de ocorrência de pareamentos perfeitos, sincronizados ou espelhados. Isso serve tanto para se encontrar meias certas dentro de uma gaveta quanto para casamentos auspiciosos. Não acredita, não é?... Um exemplozinho simples e surpreendente é o que eu chamo de "O Truque do Livro e da TV". Quer tentar? Pegue então um livro. Qualquer livro, de qualquer autor, em qualquer idioma que você compreenda. E ligue a tv, em qualquer canal e em qualquer horário. Comece a ler o livro, a partir de qualquer página. Não vai demorar muito (no máximo, estourando mesmo, uns 5 minutos) você vai ler uma palavra que está sendo dita na tv. Nada mágico ou sobrenatural. Simplesmente dois sistemas interagindo. Tá, tá, eu compreendo que isso é um ponto a menos para o romantismo, mas...! <: ) | Comentários: Quarta-feira, Outubro 15, 2003
Programação universal
Quer assistir a um documentário científico sobre a criação do Universo? Então pode ligar a sua tv neste momento... e colocá-la num canal sem sinal qualquer. O chuvisco e o som de garganta eternamente arranhando são, dizem os cosmologistas, os resquícios do Big Bang, a explosão que criou tudo há 15 bilhões de anos atrás. (Ah, acabe de ler, vai; esse assunto é mais interessante do que Faustão ou Hebe Camargo...) <: ) No início tudo era... uma Singularidade (Ninguém sabe o que era exatamente, daí o nome). Especula-se que era um ponto hiper massivo que continha, comprimida, toda a matéria inicial do Universo. Então, há 15 milhões de séculos, o ponto expandiu-se violentamente libertando os primeiros segundos, e dando a largada para uma infinidade de interações de matéria espalhando-se vertiginosamente e que culminaria com essas linhas sendo digitadas agora por mim (no seu caso, com você lendo) tentando explicar (entender) a coisa. Os primeiros minutos do Universo foram uma zorra só ("zorra" é um ótimo termo para esse caso, não ria) de ondas eletromagnéticas de todos os espectros sendo atiradas para longe. E ondas de tv são, nada mais nada menos, do que partículas muito energizadas ondulando em velocidade alucinante (Um pouco menos do que isso viríamos a chamar depois de calor; um pouco mais de amarelo ou azul e, vibrando mais ainda, de unhas ou laptop). Alguns traços dessas ondas de tv, garantem os mesmos cosmólogos, podem ser captadas, hoje, agora, pelas nossas prosaicas antenas de varetas espetadas em nossas lajes. | Comentários: Terça-feira, Outubro 14, 2003
Vivoquê Não sei se isso existe em algum outro lugar... Certamente em rincões aonde uma tomada seja luxo mas não falte animação, exista, embora eu desconheça; de qualquer modo, no Charlie Chaplin Bierhauss, do lado da Patrone, aqui em Petrópolis, uma banda - a Sohma - faz karaoquê ao vivo (daí vivoquê) para os clientes todo sábado depois das 21:00 horas. | Comentários: JET
Quem sou eu? Pergunto a você. Quanto a mim, sou qualquer coisa Que queira; Ando no limite de mi'a própria figura, Bem na beira. Pois é fácil p'ra eu ser O que você espera. Basta bem observar Para entender A louca multiplicidade que meu piscar encerra. Quem sou? Posso ser você, pedindo Que te enxergue como realmente é; Posso ser ruim espelho Que se deva rapidamente espatifar Se assim o quiser... Agora, sou palavras Sussurradas - Roucas - em algum ouvido. Posso ser até o que na verdade duvido... Sou e serei sempre estranha mente, U'a velha criança sonhadora; U'a pesada máquina voadora (Mas) Que precisa de toda sua força P'ra permanecer no ar. Sou meu limite E quem puder, que o busque, que o imite; Apenas quem o quiser mesmo ver. Sou, enfim, Quem eu esqueci de ser. (Escrevi isso em março de 98, quando começava a navegar na internet e as pessoas viviam me fazendo insistentemente a mesma pergunta. E a resposta ainda vale) | Comentários: Você sabe que fez alguma m... ... quando vai beijar sua esposa e ela fica imóvel, sem piscar, sem expressão, muda, lábios como tâmaras (depois de horas no sol) e, (pior!!) de braços cruzados. | Comentários: Preguiça matinal Detesto levantar cedo. Principalmente quando tenho que trabalhar... Junte a isso uma segunda-feira, e aí o bicho realmente pega. Ou dorme. Pois pus o despertador para tocar e ele, preciso, interrompeu na hora programada minha discussão de química orgânica e cadeias alifáticas com a Britney Spears (...), merecendo por isso um soco. Voltei então correndo pra procurar a moça, mas ela já havia se ido... E a decepção logo se transformou em pesadelo, porque sonhei estar acordando às 4 da tarde, atrasado até para o meu segundo emprego. Acordei. O relógio só havia andado 20 minutos... O que é prova inconteste de que meu subconsciente é mais responsável do que eu. <: ) | Comentários: Bodas
Domingo fomos a uma festa de 45 anos de casamento. Tios da Guiomar. Bodas de Safira. Chovia. Filhos - com seus segundos ou terceiros relacionamentos - ajudando na mesa. Bacalhau e salada. Netos de várias cores e tamanhos andando pela casa. Doce de abóbora. Um piano tocando num quarto. Mariolas. Numa hora teve hino. Metodista. Olhos apertados. E discurso com chôro silencioso. Depois talheres tinindo. Conversa em dia... Saímos cedo. ... 45 anos!... ... Sei não... Acho que a Guiomar queria me dizer alguma coisa... | Comentários: Sábado, Outubro 11, 2003
Whydah
Começou com uma pequena vaga no mar. Uma ondulação suave, tocada pelo vento... À crista da onda veio então se somar uma outra, que lhe adicionou força, altura e vigor. E a onda então cresceu. Um vento morno e úmido assobiou, empurrando um pouco mais a massa d´água que se elevava, ganhando velocidade. Depois de horas crescendo, aquela vaga se tornou uma pequena cria de uma tempestade tropical. E no dia seguinte, era um mar bravio. E antes da próxima noite chegar, tornara-se uma borrasca de dimensões incontroláveis. Ondas imensas se avolumavam, atropelando-se umas às outras, destruídas nos topos por ventos ciclônicos. O barulho era ensurdecedor. Sua força, brutal. Muros d´água se erguiam à alturas assustadoras, querendo molhar o céu, e desabavam nos vales escuros de água salgada sulcados por espuma branca de mar em efervecência. O sol desaparecera. As nuvens desapareceram. Tudo era escuridão e som de explosão, de toneladas e toneladas de líquido em movimento. Caos. À frente da tempestade, um pequeno lugre de dois mastros navegava, branca silhueta numa montanha russa de água que se avizinhava. Sua tripulação, aturdida, cansada e apavorada, segurava suas adriças e cordames com grande tensão, aliviando ao máximo - e inutilmente - suas velas. A primeira onda que se lhes abateu, lambeu o diminuto convés com uma violência tal que lhe suprimiu dois escaleres e três homens, tragando-os para as espumas. A segunda onda lhe partiu o leme. A terceira, inundou-lhe o primeiro deque, torceu-lhe as anteparas e feriu-o de morte. A quarta onda apenas separou de vez a proa da popa, e um grito abafado se fez ouvir entre as trovoadas quando, antes da quinta onda, o pequeno barco sumiu atrás de uma elevação de água. Redemoinhos. Bolhas. Sal. Canhoneio de relâmpagos. A tempestade não diminuiu. Continuou soprando forte até chegar à costa, onde finalmente encontrou algo mais tenaz do que ela e... esboroou-se nos penhascos de calcário até arrancar algumas de suas pedras, mas não mais do que isso. Enfiou suas garras nas paredes, fendendo-as, sangrando-as, balouçando seu farol. Varreu a vegetação circundante, arrancando pequenas árvores, gritando. Suspirou quando se cansou. Trovejou uma última vez. E se calou, antes que amanhecesse. De novo, nessa manhã, as ondas quebraram, mas agora suaves, na areia revolvida, onde coloridos caranguejos se alimentavam. E a água calma, aquecida pelo sol, trazia modorramente pequenos pedaços triturados de madeira, os quais depositava na orla. Pedaços de um pequeno barco. E num deles se lia Whydah. Whydah... Why...dah... | Comentários: Sexta-feira, Outubro 10, 2003
Jorge Dória... e Fábio Mássimo? Quarta que vem (15) Jorge Dória estréia um show novo aqui em Petrópolis, no Teatro Santa Cecília, às 20:30. O ingresso custará R$ 25,00 na hora, R$ 20,00 antecipado e, o melhor, com 50% de desconto para quem for cliente Unimed - que patrocina a noite. Todo mundo daqui do jornal tem Unimed. : )))) E todo mundo também sabe quem é Jorge Dória, não é preciso apresentá-lo. Mas hoje cedo, lá no escritório da BG, que está marqueteando a apresentação, conheci o produtor, Fábio Mássimo, que também estará no palco na quarta. Fábio Mássimo, lembram...? Decano da Globo... começou bem cedo, ainda criança, e aos 11 anos fez o Pedrinho do Sítio em 78... também fez as novelas Bicho do Mato, A Patota, Olhai os Lírios do Campo, Pecado Capital, Os Gigantes, Marina, Jogo da Vida, O Salvador da Pátria, alguns Casos Especiais e filmes... lembram?... Táááá, nem eu!... : / Pesquisei na net e achei essas novelas relacionadas a ele, mas juro que me lembrei da cara dele (coisas da memória formal)...! Hoje Fábio trabalha mais atrás das câmeras, em produções e direções, do que na frente delas. Engraçado isso, não é? Eu não lembro d´ele ser um mau ator; fazia na maioria das vezes papéis de menino, talvez por causa da altura (...), mas o fato é que não marcou tão indelevelmente assim as nossas memórias a ponto de facilitar um reconhecimento imediato, um estalo neural a partir de um nome. ... O cara está com 40 anos. E estamos falando de coisas acontecidas há mais de 20 anos. É. Definitivamente, estou envelhecendo. : / | Comentários: A magia das sextas-feiras Isso veio de uma conversa de mulher: as sextas-feiras são dias em que você pode fazer coisas que não faria normalmente nos outros dias... ... Confesso que fiquei estranhamente preocupado - porque também curioso - ao ouvir a declaração. <: ))))) | Comentários: Você sabe que vai ter um dia daqueles quando... ... dá "bom dia" pra ela e ela responde entredentes "e o que há de bom!?..." | Comentários: Não quero Não quero chuva por mais de duas semanas. Não quero aftas, nem solas furadas, nem prisões. Não quero óculos sujos. Quero mais chances... Quero poder não ter horário, mas não quero perder tempo, mesmo não sabendo quanto tempo ainda tenho. Também não quero dizer só "eu" todo o tempo. Não quero sofrer. Nem ver sofrer. Não quero. Se pudesse, choraria, mas não tenho lágrima. Não quero não ser coompreendido. Nem que meu esforço passe sempre despercebido. Não quero. Não quero (entenda) só receber, mas dar carinho. Quero rir, de tudo, um dia, com motivo. Quero correr na areia. Descalço. Quero sempre poder ver você. Isso eu quero. | Comentários: Quinta-feira, Outubro 09, 2003
Trabalho A melhor coisa do trabalho é que depois de 6 horas de labuta incessante... o nosso Sindicato está juridicamente do nosso lado. <: ) | Comentários: Quarta-feira, Outubro 08, 2003
Reencontro
Semana passada eu a vi. Na rua. Em meio à multidão. Puro acaso. E ela me viu, tenho certeza. De longe. Ou melhor (ou pior), anteviu-me. E volveu o olhar. Buscou o meio fio, o mosaico da calçada. E, incomodada, percorreu os olhos, creio, por cada silhueta que se movia diante dela durante aqueles segundos que duraram o reencontro, no afã de não ter que fazer o mesmo comigo. Eu só desgrudei os olhos dela uma vez, para não tropeçar nas irregularidades do piso - que se pareciam com a irregularidade que eu criei entre nós dois. Fomos andando assim, um na direção do outro... até nos cruzar-mos, em absoluto silêncio, em mágoa palpável, em dor (de minha parte), e em forçada determinação de me ignorar (da parte dela). Subi as escadas do escritório com as pernas bambas e o coração forçando o peito, animal histérico como que querendo romper uma jaula e sair correndo dali atrás de... ... Odiei-me por vários minutos. Pensei aonde ela estava indo e se ela pensava como eu estava me sentindo agora: tolices; repassei meus últimos meses de andanças na esperança de revê-la, e o que eu havia planejado fazer quando isso acontecesse... E o que consegui fazer foi continuar sendo eu mesmo. Ódio de mim. Não foi aquele ódio destrutivo, mas uma vergonha travestida de uma raiva tão grande por ter aceitado a distância que eu acabei impondo - por não ter brigado comigo mesmo naquela ocasião - que digitei todos os textos da noite com uma força extra, machucando teclado e dedos, descarregando minha incompetência de lidar com o amor em uma máquina que não me reagia. ... Ela parecia mais alta, mais séria. Menos menina. É. Culpa toda minha. Fiz nascer à fórceps uma mulher que não gosta de mim, que não quer me ver e que quer esquecer que eu existo; mesmo passando ao meu lado e me percebendo. | Comentários: Terça-feira, Outubro 07, 2003
Se...? E se todos os meus desejos pudessem ser realizados hoje? Agora? Não seria o inferno na terra?... | Comentários: Nu Você conhece uma pessoa quando a vê diante de uma impossibilidade. Ela pára, mede o abismo, engole em seco, e começa a andar para trás len-ta-men-te, num misto de raiva, medo, decepção e angústia; pois está diante de uma espécie de reflexo cru dela mesma. As diferenças nas reações ficam por conta das intensidades e predominâncias desses sentimentos. Nada desnuda psiquicamente mais um homem do que uma impossibilidade. A impossibilidade de prosseguir... A impossibilidade de vencer... A impossibilidade de gostar... do jeito que ele quer. | Comentários: Esgrima vocal sobre natação ouvida pelo meio (mas foi o suficiente) durante o horário de trabalho: - ... Ah, mas nadar tipo cachorrinho é muito boiola... - Tá, mas quando o barco está afundando, vale qualquer estilo... | Comentários:
Reciclando lembranças
Arrumei esses dias a gaveta de documentos do armário para me livrar de extratos bancários antigos, contas de luz velhas, bilhetes de cinema perfurados engordurados de manteiga de pipoca e lixos diversos. Não sei por que guardo tantos desses fragmentos fugidios do passado... Talvez para me penitenciar no futuro... porque um saldo de uma caderneta de poupança de cinco anos e três meses atrás, por exemplo, é, definitivamente, menos do que um arquivo morto: é uma espécie de atestado de incompetência por eu não conseguir, hoje, superar aqueles depósitos com tantas casas decimais... Mas não foi só isso que encontrei. Haviam cartões também, de aniversários, festinhas infantis, convites de casamento, natais. E bilhetinhos, rabiscados em mídias diversas, em cores de caneta variadas, com velocidades e pressões distintas, de mim para Guiomar lembrando qualquer coisa ou simplesmente expressões de saudade. Todos esses continuo guardando, mesmo que não sejam mais exatamente (precisamente) congruentes com meus pensamentos hoje; afinal a gente muda; ou o mundo - que não pára - muda a gente (dando de ombros). Bem, um dos bilhetinhos fez demorar-me com ele. Foi anexado a um buquê no nosso aniversário de sete anos morando juntos, lembro, um ano difícil, recordo. Ainda diz, sob uma pátina amarelecida com a minha letra: Aqui tem sete rosas; Sete botões; Um para cada ano juntos. Nem todos estão perfeitos; Nem todos são iguais. Mas num vaso Posto por nós E com boa água Durarão. Havia dentro dele um dos botões, completamente seco e oxidado, mas ainda rosado. Em novembro, nossa Resistência completa 11 anos. | Comentários:
Caixa de Clipes Não duvido você já ter reparado que quando vai pegar um clipe naquela caixinha do escritório, a que fica sobre a mesa da secretária, invariavelmente pesca uma dupla entrelaçada deles, tantas vezes que foi essa caixinha revolvida, incrementada ou subtraída de clipes ao longo do dia de trabalho. Pois é, os relacionamentos humanos podem ser vistos mais ou menos dessa maneira, acho. Para muitos de nós, como os clipes numa caixa, estamos contidos num universo finito também, onde se nasce e morre, onde nos deparamos com pessoas - os clipes, de todas as formas e materiais - e que depois, em algum tempo, perdemos de vista. Porque, assim como a rotina de um escritório, a evolução gregária humana - esse moto contínuo necessário, automático, mutante - está sempre experimentando novas associações em busca de um desempenho melhor, de mais eficiência. Qual, exatamente, não sabemos; mas que apenas aspiramos alcançar, instintivamente. Intriga-me - e me alivia - nos imaginarmos clipes em uma caixinha. Significa que a vida, de certa forma, maquina em nosso favor para que encontremos aquele par ao qual vamos nos entrelaçar um dia. Senão hoje cedo - porque quem retirou um par entrelaçado o desfez, pois só precisava de um clipe - talvez amanhã à tarde quando, retornados à caixa, as revoluções e novas adições desses pequenos objetos nos garantirão, certamente, novas uniões. | Comentários:
Transmissão de vírus por computador
Não quero assustar ninguém, já vou avisando; nem sugerir que eu tenha algum transtorno obsessivo (grave, quero dizer; todos os que eu possuo são levinhos e não impedem minha funcionalidade), mas sinto dizer que o seu computador pode ser um transmissor de vírus em potencial. Não, não são aqueles vírus eletrônicos que infestam nossos Outlooks da vida que eu estou falando; falo dos vírus de verdade, o da gripe, o da hepatite, os VHS 1 e 2 e alguns bacilos e bactérias, como os da pneumonia, da conjuntivite e do botulismo. Sério, gente, se seu computador é usado por mais de uma pessoa (vá lá, mais de três), são grandes as chances de que alguém que acabou de usar o banheiro e não lavou as mãos te presentear com uma cistite ou uma conjuntivite - se você logo depois de digitar for coçar o olho ou concertar os "documentos"... Vai rindo, vai; isso é mais comum do que você imagina. /: ) Ah, acha exagero? Diga lá: quando você, ao computador, espirra você leva a mão à boca? Não?! Porquinho!! Espalhando vírus para seus colegas de trabalho, hein!!... Fora o fato de que polvilha o monitor com aquelas gotinhas que, ao serem limpas com a mão por outro usuário, vão levar seu viruzinho à reboque. O quê? Cobre a boca com a mão? Não faz muita diferença... já que você vai usar o teclado depois. Porque quem é que depois de espirrar levanta e lava a mão, ou usa lenço de papel antes de espirrar? O teclado, aliás, é uma fonte riquíssima de bactérias, bacilos de botulismo e matéria orgânica em decomposição. Basta lembrar que muitos operadores fazem seu lanche ou almoço apressado (é, nós trabalhamos muuuito!) justamente em cima deles, deixando que respingos de molho se alojem nos interstícios dos jótas, gês e éfes. Farelos de cachorros-quentes com salpicão das vanzinhas da esquina, por exemplo, são bombas químicas em potencial! E olhem que eu nem mencionei o pó dos tooners das impressoras que estão coladas aos micros (cancerígenos), nem a poeira que as ventoinhas dos chips acumulam em sua vida útil (bronquite). A solução? Desenvolver dois transtornos obsessivos: o de ter sempre na mochila uma flanela mais um frasco de Veja Multiuso; e o de lavar as mãos de meia em meia hora. <: ) (Esse texto saiu publicado na Tribuna de Petrópolis de 07/10/2003, de autoria própria) | Comentários: |